domingo, 26 de junho de 2011

Liberdade ou libertinagem? Um paradigma com a Internet.

Houve um tempo em que o povo dizia “Isto é verdade porque o Padre disse-o na Igreja durante a Missa!” e todos acreditavam.

Os tempos evoluíram e com o surgimento da Impressa escrita, o povo passou a dizer “Isto é verdade porque vem no Jornal!” e todos acreditavam.

Os tempos continuaram a evoluir e com o surgimento da rádio e da Televisão, o povo passou a dizer “Isto é verdade porque ouvi na rádio!” ou “Isto é verdade porque vi na televisão!” e todos acreditam.

Mas com o surgimento da Internet e com a facilidade que esta nos presenteia, pois vivemos tempos em que qualquer pessoa pode escrever algo numa qualquer página sem que ninguém o possa impedir, já não podemos nem devemos dizer “Isto é verdade porque li na Internet!”

Toda a informação na Internet não passa disso, certa ou errada é Informação. De nada nos serve se não tivermos pensamento crítico e capacidade de análise para podermos construir o nosso próprio conhecimento discernindo o que é certo ou o que é errado. Estamos perante um novo paradigma.

Assistimos impotentes aos constantes atropelos à língua portuguesa e às instituições públicas e privadas com uma imagem séria quando se percorre os muitos comentários de pessoas menos informadas ou com opiniões distintas que não abdicam de expor a sua opinião, mesmo que para tal estejam a denegrir a imagem do titular dessa página ou até mesmo a sua própria pessoa.

É de louvar a vontade de muitas instituições em concordarem com esta liberdade, agindo numa atitude meramente correctiva, eliminando os diversos comentários, muitas vezes nefastos, e aguardando que os autores destes não os repitam. Sim! Porque a alternativa seria acabar com esta liberdade! Mas tal causaria o prejuízo dos que usam, querem e vão usar estes novos canais de comunicação para contribuir para o bem da sua comunidade, País ou até mesmo deles próprios como indivíduos e cidadãos.

Mas a que se deve esta atitude? Na minha opinião deve-se à confusão entre a “Liberdade” e a “Libertinagem”. É preciso distinguir uma da outra. É preciso distinguir o que é ser livre e ser libertino. Quando se usa a liberdade sem compromisso com a verdade e com a responsabilidade torna-se libertinagem e esta jamais será capaz de gerar felicidade.

Ser-se Livre não é fazer tudo o que se quer, mas muitas vezes é ter a capacidade de não fazer o que se quer mas sim o que é melhor para a sua família, para a sociedade onde se insere ou até mesmo para o seu País. Ser-se livre é contribuir para o crescimento de uma instituição. Ser-se livre é contribuir positivamente para a construção de algo. E aí sim será feliz pois contribuiu para algo positivo e assim manter-se-á a Internet livre pois não haverá necessidade de atitudes bloqueadoras, correctivas ou até mesmo restritivas.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

"Homens da Luta"

Li uma notícia sobre a petição contra a música dos "Homens da Luta" no Festival Eurovisão mas o engraçado é que referia os milhares de pessoas contra a música e pelo que vejo ainda não chega a 1 milhar sendo que a petição contra a petição já passa os 11 milhares!

Engraçado como se manipula as notícias a tentar manipular a opinião pública... Não é o que se diz mas sim como se diz!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Citação - Seminários e Colóquios

Políticas de Educação/Formação: Estratégias e Práticas

Alberto Amaral - Conselheiro do Conselho Nacional de Educação
«No caso português, adaptámos uma estratégia e um modelo de desenvolvimento perfeitamente estúpido, baseado na baixa qualificação da mão-de-obra e na patética ideia de que, concentrando recursos em Lisboa, íamos competir com Madrid. Portanto, temos hoje um país com enormes assimetrias em termos de investimento, nomeadamente, em investigação científica. Como exemplo, a zona de Lisboa representa qualquer coisa como 60% de todo o País, em termos de investimento e de recursos humanos em investigação o que, de novo, é algo que terá de ser invertido. E temos um problema complicado que é o baixo nível educativo da generalidade da população portuguesa, uma vez que 80% dos activos tem, quando muito, nove anos de escolaridade, e desses 67% tem apenas a instrução primária.»

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Poça da Moura - Nova aproximação à realidade arqueológica

Na sequência de uma postagem anterior, a respeito da freguesia de Ferreira de Aves (concelho de Sátão) aqui vai mais um cheirinho dos trabalhos de levantamento arqueológico. A Poça da Moura é uma represa que se encontra na ribeira do Convento, afluente do Rio Vouga, a Ocidente da Serra de São Matias, o domínio visual sobre o vale é bom. Ao longo de 4 quilómetros para Sul podemos encontrar diversos vestígios de ocupação humana de cronologia romana e medieval (habitats, necrópoles de sepulturas escavadas na rocha, lagares, 1 convento e 1 possível Torre...)





Não distante do Vinha do Plastro já referido aqui a propósito de villae romanas e lagares e de ferradias e a poucas centenas de metros a Norte do núcleo medieval do Castelo, encontramos a Poça da Moura, represa considerada romana por Marina Vieira.



Lá aspecto de romana tem, com os seus grandes blocos bem aparelhados e reforçada com blocos graníticos de grandes dimensões.




Mede actualmente cerca de 5 metros de altura e 2,5 metros de largura. Apresenta escalonamento para melhor sustentação das águas. Aproveita do lado Sul o afloramento para seu fortalecimento. O lado Norte encontra-se mais fortalecido por aparelho mais cuidado e reforçado. Lateralmente é possível visualizar que a sua altura já foi maior.




Encontram-se adossadas a grandes massas de afloramento granítico ruinas do que foram 10 azenhas, agora ao abandono. A área encontra-se muito invadida pela vegetação rasteira (silvado e giestal), pelo que foi díficil a completa visualização das ruínas.


Refere Marina Vieira, em recolha oral, que esta teria sofrido graves danos há cerca de 100 anos atrás; altura em que teria o dobro da altura. Pelo que apurámos a represa, até recentemente, servia para regar as terras socalcadas até ao fundo do vale.

Encontramos ainda entalhes rectangulares e semi-circulares e circulares espanhados pela área. Um entalhe semi-circular apresenta uma profundidade considerável e adivinha ter servido de encaixe a uma mó. Esta estrutura encontra-se muito próxima à represa e na direcção da corrente de água.





Bibliografia de referência: VIEIRA, Marina Afonso, 2004: Alto Paiva. “Povoamento nas Épocas Romana e Alto-medieval”, Trabalhos de Arqueologia, 36. Instituto Português de Arqueologia

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

COP15

Video de abertura da Conferência de alterações climáticas da ONU em Copenhaga (COP15).
Film from the opening ceremony of the United Nations Climate Change Conference 2009 (COP15).



Please, help save the world!
Por favor, ajudem a salvar o mundo!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Louvor!

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência


É de louvar que uma conceituada marca faça um filme publicitário de 4 minutos e apenas nos últimos 30 segundos é que faz alusão ao produto. Todas as mensagens durante os 3 minutos iniciais são sobre as pessoas com Deficiência. O produto é Pantene.

Hoje dia 3 de Dezembro de 2009 é o dia Internacional das Pessoas com Deficiência.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Limpar Portugal


Um aplauso à iniciativa. Não foram poucas as vezes que andei pelo monte, nas minhas arqueologias e deparei com lixo pelas matas. É repelente deparar com figrorificos enferrujados, baldes de tinta e colchões (etc.)

Limpar Portugal - "ESTE MOVIMENTO CÍVICO INDEPENDENTE, CONSISTE EM REFERÊNCIAR E POSTERIORMENTE REMOVER AS LIXEIRAS DEPOSITADAS INDEVIDAMENTE NAS NOSSAS FLORESTAS E CAMPOS..."

Mais informação aqui



À semelhança do que foi deito na Estónia. Veja o video:



VAMOS LIMPAR PORTUGAL!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Castro de Santos Idos

-“olá! atão estás boa? olha tenho aqui umas pessoas que estão interessadas em ir ver o Castro de Santos Idos. diz-me como é que se vai para lá”
-“hum?”

-“estão aqui uns turistas franceses com um roteiro da região de turismo Dão-Lafões na mão. querem ir ao castelo romano de Santos Idos, diz-me onde é. É no Barro branco?”

-“eh pah… mas aquilo, aquilo não é fácil de dar. estás a ver aquela rua que segue para lá da cadeia? é para aí para baixo. mas olha, aquilo são caminhos cheios de mato… só se… espera, já sei! estás a ver a rua das traseiras da cadeia? há uns senhores de mais idade que vivem aí, eles sabem onde é e sabem a lenda do sino de oiro.”




-“mas estás a falar daquela rua que acaba em caminho de terra batida?”
“Sim mas olha que não imagines que tem lá muralhas ou coisa do género.”
-“ai não? mas aquilo vem no roteiro!”

“é um monte, cheio de mato. o dono daquilo morreu há poucos anos e está mais abandonado, está cheio de mato e podia ser um monte como outro qualquer! mas espera, são arqueólogos?”



“não! são turistas franceses… viram isso no livro de turismo que trazem e não falam português.”


O Castro de Santos Idos encontra-se Sul da vila de Sátão, num monte discreto entre outros mais altos, quase na base ocidental da Serra do Seixo Branco, com um domínio excelente sobre um pequeno vale abrupto da Ribeira do Sátão e sobre o sítio de Chão da Pedra já referido por nós aqui.



Lá encontramos uma longa plataforma ajudada a formar pelos socalcos (?). Ou será por muralha?






Os materiais cerâmicos que se encontram à superfície revelam uma ocupação humana muito interessante, muito provavelmente contínua, desde épocas proto-históricas até épocas medievais.



Os documentos escritos no papel existentes são apenas uma pequena dimensão do tempo; são escassos, esparsos.


Devemos então recorrer aos livros escritos no chão, folheando as camadas de terra, como se fossem páginas escritas pelo dia a dia de milénios. Apenas com um estudo aprofundado que integra muita consulta e escavação arqueológica criteriosa, possível em épocas mais secas e por isso continuada por vários anos, com análise e registo de dados, estudo de peças, contraposição de desenhos, como manda o “figurino”, poderíamos chegar a conclusões.
Nesta fase nada mais podemos, senão fazer perguntas:

---> O que leva à romanização desse possível povoado da Idade do Ferro? É mais comum encontrar assentamentos romanos em zonas mais abertas e de melhor acesso, mais próximas de vales férteis, de linhas de água. Por trazerem um estilo de vida novo, uma nova “ordem” administrativa, política e económica, uma nova realidade, geralmente, apostavam noutro género de assentamento.




---> Porque continuam a ocupar o mesmo espaço?
Ao manterem o mesmo espaço ao longo dos séculos terão mantido a mesma actividade económica? Qual? E em épocas declínio do império romano reorganizaram o espaço? Diminuíram-no ou aumentaram-no?






---> E nas guerras da reconquista, séculos depois? O Sátão teve Carta de Foral em 1111, justificada pela “arte de bem receber” Estaria aqui o núcleo urbano medieval onde viviam? Se não era o centro, as suas gentes não vieram para longe.




É de louvar a preocupação e atenção dos satenses, revista nesta funcionária municipal da conversa transcrita acima.




Seria de louvar se o Castro de Santos Idos tivesse também condição de receber o forasteiro que se interessa pelo Sátão. Era bom que o núcleo original que deu origem à vila, sede de concelho, fosse esse livro aberto…


Não se entende o que leva a região de turismo, que faz estes roteiros turísticos, a colocar na rota estes montes aparentemente vazios de significado, pertencentes a particulares e sem qualquer sinalização. E se o turista conseguiu lá chegar, por ser um incauto aventureiro aliciado pelas fortificações da Idade do Ferro, deparou com um monte abandonado à vegetação e sem qualquer estrutura acima do solo que indique que chegou ao seu destino.

Gostou desta postagem? Esta e outras mais encontram-se em: http://patrimoniosustentavel.blogspot.com/