Os dias são surdos.
A dor instalou-se
Atrás de todos os passos
Perseguidos pela culpa.
Os dias pararam ao anoitecer e
A noite não tem tempo.
Só Deus toma forma
Na luz que vem da janela
Mascarando-se nas sombras.
Só Deus está presente,
Na inocência da dor e
Nas paredes despidas do meu quarto
Meus olhos vazios
São versos mudos pelo medo.
Mas que é dor senão poesia,
Senão versos declamados no silêncio.