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domingo, 29 de junho de 2008

Os Dias São Surdos

Os dias são surdos.

A dor instalou-se

Atrás de todos os passos

Perseguidos pela culpa.

Os dias pararam ao anoitecer e

A noite não tem tempo.



Só Deus toma forma

Na luz que vem da janela

Mascarando-se nas sombras.

Só Deus está presente,

Na inocência da dor e

Nas paredes despidas do meu quarto



Meus olhos vazios

São versos mudos pelo medo.

Mas que é dor senão poesia,

Senão versos declamados no silêncio.

quarta-feira, 5 de março de 2008

... Poesia!

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as dores que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

De Fernando Pessoa

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

... Poesia!

"Um escritor?"

Mas o que é um escritor?
Alguém que escreve?
Mas escreve o quê?
Palavras soltas, Frases simples,Textos soltos...
E faz algum sentido o que escreve?
Mas sentido para ele?
Ou para quem lê?
Então escreve para si ou para os outros?
Escreve para relembrar?
Ou escreve para que notem nele?
Para provar que existe?
Para deixar algo depois de morrer?
Então se assim for
Os textos serão como filhos...
Mas sem a capacidade de se tornarem maiores
A não ser como inspiração para outros
Outros escritores...
Mas o que são esses escritores?
Alguém que escreve?
Mas escreve o quê? E porquê?
Porque alguém o fez um dia?
Então quem foi o primeiro escritor?
Será de amaldiçoar a sua acção?
Ou de valorizar a sua coragem,
De fazer algo pela primeira vez,
De começar uma altitude antes de todos.

Em que se terá inspirado o primeiro?
E o segundo? Para além de continuado
O trabalho do primeiro.
Quantos serão os escritores?
Serei eu um escritor?
Mas o que escrevo?
Escrevo para mim?
Escrevo para me libertar?
Escrevo para me relembrar?
Apenas escrevo o que penso!
Serei eu “Um Escritor?”

Julho de 2005

sábado, 16 de dezembro de 2006

... Poesia!

"Os Heróis Esquecidos..."

Eles chegam vestidos sem que ninguém saiba quem são,
Para vestir as cores opostas,
Cores de calor e de frio,
Cores de fogo e de água,
E aguardam pelo apelo,
Pelo toque do telefone.
Aguardam pacientemente,
Em ambiente alegre e de diversão.

Até que o som já conhecido se ouve à distancia
O toque do telefone.
E tudo pára e se prepara.
À espera do sinal de partida.
Do sinal que indica o destino.

O sinal é dado!

O corpo começa a acelerar,
A alimentar-se de adrenalina,
E correm... correm para o que não sabem.
Têm apenas uma ideia do que os espera.
Têm apenas uma ideia para onde vão.
Mas vão destemidos correndo,
Correndo pelas ruas de uma cidade como qualquer outra.

Alguém os espera...

Ao chegar vêem alguém em sofrimento,
Uma vitima... vitima da vida... vitima do momento.
E lê-se nos seus olhos
Sofridos pelo momento
A alegria de ver o seu salvador,
Como se de um anjo se tratasse.
Alguém enviado pelos céus para a salvar.

Fazem o que têm de fazer,
Tentam salvar esta vitima,
Tentam saber o que levou a ser vitima,
Fazem tudo que podem.
Tudo o que é preciso fazer.
Agem com segurança e sem medos,
Mãos firmes e seguras,
Segurando a vida de quem sofre,
Agindo rápido...

De volta às ruas,
Tudo é ocupado pela luz Azul...
Reflectida em todas as paredes...
E nas caras de quem vê.
Sendo reconhecidos por todos...
Todos que abrem caminho para que passem.

Novamente na corrida desenfreada,
Com um destino mais que conhecido,
De outras corridas, de outras vitimas...
Alguém os espera...
A adrenalina não pára.
Nos olhos de quem sofre,
Lê-se a gratidão... a confiança...
A vontade de agradecer aos céus pelos anjos...
Mas não são anjos salvadores...
São apenas humanos.

Chegados onde são esperados...
Despedem-se com alguma mágoa...
Mágoa de não poder fazer mais...
Mas agradecidos por terem conseguido fazer o que podiam.
Observam, ao longe, o olhar de gratidão...
Nos olhos de quem acabaram de salvar.

Podem agora, debaixo das estrelas,
Relaxar, deixar-se abater, ressacar da adrenalina,
Tremer, chorar, revoltar-se, enfurecer-se...
Fumar, fechar os olhos, pensar no que fizeram...
Foi tudo tão rápido,
mas podem agora mostrar o medo,
o receio de falhar, mostrar que são mortais e humanos.

Está na hora de voltar ao castelo...
Ao refugio... Ao quartel!
Onde podem repousar e esquecer...
Onde estão outros como eles...
A libertar o corpo da adrenalina...
Essa saudável droga.
Até ao próximo toque de telefone...
Até ao próximo sinal de partida...
Até alguém voltar a precisar deles.

No fim de tudo há quem pergunte
Quem são eles? São...
Homens e mulheres que não são Heróis...
Homens e mulheres que não são Anjos...
São apenas necessários, mas esquecidos...
Homens e mulheres que misturam-se na cidade
Como pessoas vulgares... mas por vezes
Vestem a pele de heróis que não o são...
Só fazem o que é preciso mas esquecido.

São “Os Heróis Esquecidos...”

Julho de 2005

... Poesia!

"Procurei mas não te encontrei..."

Acordei... mesmo sem abrir os olhos
Procurei te a meu lado
Mas a cama vazia respondia à minha busca.
Levantei-me e procurei te pela casa,
Vazia de vida, iluminada pelo sol matinal.

Saí de casa, ainda à tua procura
O bom dia que seria para ti
Entreguei-o ao primeiro conhecido que encontrei.
Continuei à tua procura por toda a parte.
Pelas ruas desta cidade que habitamos
Mas sempre sem te encontrar.

Andei... corri... olhei... mas não te encontrei.
Não te vi no café onde comi.
Não te vi no trabalho.
Não almocei contigo.
Não gastei a tarde ao teu lado.
Procurei mas não te encontrei.

Jantei sem te dizer palavra.
Jantei sem te ver.
Passei o tempo sem te encontrar.

Voltei para casa... sozinho...
Sem ti.
Entrei e procurei...
A casa vazia... agora iluminada pela lua.

Deitei-me na cama vazia como antes.
Ao fechar os olhos procurei
Mas não te encontrei.

Só me resta agora procurar
Onde não vejo... onde só sinto...
Na solidão dos meus sonhos
Onde aí te encontrarei
E talvez acorde ao teu lado
Para que possa finalmente
Entregar-te o que é teu por direito
O primeiro bom dia de hoje.

Maio de 2005

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

... Poesia!

"Pessoa Certa..."

A pessoa certa não é aquela que apenas nos faz sentir nas nuvens, é aquela que para além disso ainda nos deixa um cigarro em cima da mesa, quando não temos nenhum para fumar de manhã, mesmo sabendo que nos faz mal, mas que é uma coisa que gostamos!

Adoro-te MRS2310!


Outubro 26, 2005